O Botafogo deu um susto daqueles em Trujillo. Com um time de praticamente força máxima, construiu um 3 a 0 em ritmo de treino contra o César Vallejo no Estadio Mansiche, no Peru. Com a vantagem, Luís Castro fez substituições no intervalo, o time caiu porque os atletas que entraram estavam em outro ritmo e a equipe levou dois gols. No fim, vitória por 3 a 2 e liderança do Grupo A da Copa Sul-Americana.
O que levar da bagagem de volta para o Rio de Janeiro? O copo meio cheio, com mais um topo em uma classificação – o time também é líder do Campeonato Brasileiro – com uma boa atuação; ou o copo meio vazio, com os reservas sofrendo nos últimos 45 minutos e a trave salvando o Alvinegro de levar o empate?
É preciso ter equilíbrio para analisar, mas o fato, independentemente da escolha, é um: o Botafogo volta para casa com a missão cumprida: o time é líder e depende apenas de si para conseguir a vaga direta para as oitavas da Sul-Americana. A equipe ainda enfrenta a LDU na altitude e, pela vantagem, pode empatar para, então, decidir contra o Magallanes em casa.
Em campo, a equipe comandada por Luís Castro ‘passou o trator’ no adversário na etapa inicial. Com o time principal, o meio-campo dominou as ações e não deu chance para o César Vallejo respirar. Quando tinha a bola, a posse era acionada para Victor Sá, que, em noite inspirada, fez um gol e deu uma assistência aproveitando as dificuldades dos peruanos no lado esquerdo.
A lição de superar um time tecnicamente abaixo foi feita com maestria, com um 3 a 0 construído de forma natural. O primeiro gol saiu em jogada de ligação direta, outro em bola parada e o último em trama trabalhada com toques de primeira até a finalização de Gustavo Sauer. Um Botafogo ‘camaleão’ com várias formas de atacar.
As várias substituições no intervalo eram naturais pelo contexto. Três gols de vantagem, viagem longa e calendário pesado. Não há como culpar Luís Castro por isso. Os jogadores que entraram em campo, contudo, vieram em outra rotatividade. Philipe Sampaio, Luis Segovia e Raí foram mal e o time perdeu em intensidade, permitindo o crescimento do César Vallejo.
A equipe de Loco Abreu foi, aos poucos, aparecendo no campo ofensivo. Com bolas alçadas na área e jogadas em velocidade nos lados do campo, os peruanos assustaram, mas a trave salvou o Botafogo aos 50 do segundo tempo.
Susto, show, drama… Seja qual for o modo escolhido para falar sobre a atuação do Botafogo no Peru, um fato é absoluto e precisa ser ressaltado: o Alvinegro é líder do Grupo A da Copa Sul-Americana.