A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) classificou como de “nível de criticidade” o risco de aumento da influência do governo dos Estados Unidos sobre o processo eleitoral brasileiro de 2026. O alerta consta em relatório enviado no final de agosto ao Palácio do Planalto, ao Ministério da Justiça e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A análise aponta para uma tendência de escalada de pressão diplomática, econômica e financeira atribuída à gestão do presidente Donald Trump para conter potências rivais na América Latina e assegurar ativos estratégicos.
O documento examina a postura de Washington entre novembro de 2025 e maio de 2026, destacando que medidas punitivas já vêm sendo aplicadas no país. Como exemplo de sanção de amplo alcance, o relatório cita a ação do Departamento do Tesouro norte-americano em julho, quando dois brasileiros e três empresas locais sofreram restrições financeiras e operacionais por supostas ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC). De acordo com a inteligência brasileira, esse padrão de atuação pode acabar impactando o ambiente político nacional às vésperas do pleito.
As advertências surgem no momento em que as eleições de outubro de 2026 entram no radar de autoridades civis e institucionais, motivando reações oficiais. Em agosto, o Instituto Vladimir Herzog formalizou ao presidente do STF, Edson Fachin, um alerta sobre possíveis ingerências externas, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a confiabilidade do sistema eleitoral em conversa telefônica com Trump. Em contrapartida, representantes do Departamento de Estado dos EUA afirmaram que o país respeitará soberanamente o resultado das urnas e a decisão do eleitorado brasileiro.